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sábado, 10 de abril de 2010

Blog Nacional

A partir de hoje as matérias e notícias da JR do sul do Brasil serão postadas no blog nacional.
Segue o Link:

quarta-feira, 7 de abril de 2010

MAIS VAGAS PARA TODOS - DA CRECHE ATÉ A UNIVERSIDADE

Os jornais dizem que sobram vagas nas Universidades Públicas. Um curto estudo mostra a realidade do investimento e das vagas nas universidades.


Após o vestibular 2010, o primeiro organizado através do SISU (Sistema de Seleção Unificada), programa do Ministério da Educação (MEC) que pretendia “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas de ensino superior”, segundo informa o site do MEC, podemos constatar que seus objetivos não foram alcançados. A razão é muito simples, o investimento na ampliação do ensino superior público foi insuficiente e praticamente não aumentou as vagas.

O verdadeiro problema persiste: existem muitos estudantes que já se formaram e estão aptos para estudar nas Universidades Públicas, mas enfrentam o problema de poucas vagas disponíveis. O próprio MEC confirma: “793,9 mil candidatos concorreram a 47,9 mil vagas em 51 instituições de ensino superior [público] em todo o país” (os dados não levam em conta algumas instituições públicas que não participaram do SISU, como a USP, Unicamp e algumas federais, que seguem proporções semelhantes).

A missão de “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas” deixou 746.000 estudantes fora da universidade pública garantindo vagas para apenas 47.900 jovens, essa é a democracia no acesso oferecido pelo MEC!?

A demanda cresce mais que o número de vagas

No vestibular de 1997, a relação era de 7,4 candidatos inscritos por cada vaga oferecida. Em 2001 passa para 9,3 (dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP). Em 2010 chega ao espantoso índice de 16,5 estudantes concorrendo por cada vaga em uma instituição pública de ensino superior (dados do MEC).

É claro que no governo de FHC a Universidade Pública passou pelo pior momento de sua história, com sucateamento e de fato nenhuma nova universidade pública foi criada. O governo Lula, que foi eleito em 2002 para salvar a educação pública, é um governo indiscutivelmente muito melhor que o de FHC, mas não tem conseguido resolver minimamente a questão do funil, aumentando sempre a fatia de estudantes que não conseguem acesso às universidades públicas.

As políticas apresentadas como “democratização do acesso” apenas têm criado uma cortina de fumaça que esconde o real problema da necessidade de abrir mais vagas. Assim tem sido com o ‘Novo Enem’, o ‘SISU’, e também com o ‘ProUni’ e ‘FIES’, que ao fim, destinam milhões dos cofres públicos para o bolso dos empresários da educação, enquanto esse dinheiro poderia ser usado para aumentar as vagas nas universidades públicas.

O problema do acesso à Universidade vem desde o ensino básico

No último estudo do INEP sobre a geografia da educação brasileira (2001) constatou-se que do total de alunos que entram na primeira série do ensino fundamental, pouco mais de 40% conclui o ensino médio.

No ensino fundamental, de cada 100 alunos que ingressam, apenas 59 conseguem terminar, os outros 41 param de estudar antes de concluir este nível de ensino. Dos que chegam ao ensino médio, 26% não conseguem terminá-lo.

A universidade e o modelo de ensino excluem os filhos dos trabalhadores

Os filhos dos trabalhadores, por uma questão objetiva de logo cedo terem que ajudar com as despesas de casa fazem com que o jovem tenha que “ralar” para conseguir um “dinheirinho”, precisando trabalhar muitas vezes já na adolescência. Esse é o principal motivo da enorme evasão no ensino público básico.

Dividir os estudos com a precoce necessidade imposta de trabalhar e pagar contas, somado à precária estrutura do ensino público básico - sem atrativo nenhum (com a maioria das instituições muitas vezes completamente sucateada, sem as mínimas condições de ensino), sem Passe-Livre Estudantil (transporte gratuito para chegar à escola) - é a receita que o capitalismo criou para afastar os jovens filhos dos trabalhadores das escolas. Grande parte já fica enroscada no funil do ensino básico e médio e outra parte é barrada pelo funil do vestibular.

O resultado do Enem 2009 mostrou o sucateamento do ensino público básico: entre as 50 melhores escolas, 40 são particulares e somente dez são públicas, 9 delas são federais (públicas de alta excelência, que atendem essencialmente a classe média e são localizadas nos bairros centrais). Entre as 50 escolas com o pior desempenho no Enem, todas são públicas e se encontram nos bairros periféricos (Folha/Uol). Isso não é uma coincidência apenas, mas sim resultado de toda uma política que privilegia a parte mais rica da sociedade.

Os poucos jovens trabalhadores que conseguem chegar a uma universidade pública muitas vezes são impedidos de estudar pelo simples fato da maioria dos cursos serem oferecidos somente nos períodos diurnos, quando normalmente a maioria desses jovens está trabalhando.

Das 793,9 mil vagas oferecidas pelo SISU em 2010, apenas 17,4 mil corresponde aos cursos noturnos (site MEC), a maioria são cursos de licenciatura e praticamente nada dos cursos considerados “de ponta”. Das 51 instituições só algumas oferecem o curso de Direito, nesse período, e nenhuma oferece curso noturno de Medicina. Mesmo os que conseguem estudar encontram uma universidade com fraca política de assistência estudantil (alimentação, moradia e saúde), obrigando muitos a “largarem” o curso.

Como vemos está tudo organizadinho para que o filho do trabalhador não chegue à universidade.

Tem dinheiro pra banqueiro, mas não tem pra educação?

Verbas existem para transformar o ensino público em ensino de qualidade e construir mais universidades públicas, de modo a universalizar o acesso, garantindo vagas para todos. O problema é que esses recursos não estão indo para a educação.

Só em janeiro deste ano o governo já anunciou um superávit primário (reserva retirada dos gastos sociais para ser usado no pagamento dos juros da dívida pública) de R$ 13,9 bilhões (OESP). Estima-se que, em 2009, o governo tenha gastado cerca de R$ 300 bilhões em ajuda aos empresários, com “políticas de combate à crise”, e mais R$ 230 bilhões de gastos com o pagamento de juros da dívida pública no ano passado. Estes são alguns exemplos de como o dinheiro do povo trabalhador é embolsado pelos capitalistas e especuladores, ao invés de serem usados para melhorar a educação pública.

A Esquerda Marxista que combate pelo rompimento do PT com a burguesia, entende como parte fundamental deste combate a luta para aumentar as vagas para todos no ensino público, com qualidade, desde as creches até a pós-graduação. Nenhum centavo deve ir para os capitalistas!


Fábio Ramirez, militante da Juventude Revolução.

Fonte: Esquerda Marxista

sábado, 20 de março de 2010

Ocupação na USP

ESTUDANTES DA USP OCUPAM O ESPAÇO DA COORDENAÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL POR MAIS VAGAS NA MORADIA ESTUDANTIL!

Os moradores do CRUSP (Conjunto Residencial da USP – moradia estudantil), em Assembléia realizada no final da noite desta quarta-feira, em função da COSEAS (Coordenadoria do Serviço de Assistência Social da USP) ter encerrado unilateralmente as negociações com a AMORCRUSP (Associação dos Moradores do CRUSP) que estavam em andamento, decidiram ocupar imediatamente a COSEAS até que sejam atendidas as demandas abaixo, mas especialmente:

1) Que todos os ingressantes que precisem e solicitaram moradia no Crusp, tenham esse direito assegurado;

2) O fim do serviço interno de informação que monitora a vida, o comportamento e, inclusive, as atividades políticas dos moradores¹

Prédio do CRUSP - moadia estudantil da USP

Veja nota aprovada na Assembléia Aqui!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Em defesa da fábrica ocupada Flaskô

REUNIÃO URGENTE DO COMITÊ DE DEFESA DAS FÁBRICAS OCUPADAS E DA ARTE INDEPENDENTE


No dia 13/01/2009 realizou-se na cidade de Sumaré, o primeiro dos leilões do maquinário da Flaskô. Graças à organzação dos trabalhadores e suas constantes ações, não se apresentaram compradores. Mas ainda há mais leilões marcados para os dias 21, 27 e 28 de janeiro, mais 04 e 10 de fevereiro.

O Comitê de Defesa da Arte e das Fábricas Ocupadas convoca todos os interessados para reunião extraordinária, que se realizará no dia 16/01/2010, às 15:00 hs., no Espaço Cultural Pyndorama, que se localiza na Rua Turiaçu, nº 481, Perdizes, São Paulo (próximo à estação Barra Funda do metrô), pela pauta : Organização a defesa da Fábrica ocupada sob controle operário e ações contra os leilões das máquinas.

Quando? 16/01/2010, sábado, 15:00 hs.
Onde? Espaço Cultural Pyndorama
Rua Turiaçu, nº 481, Perdizes
Próximo a estação Barra Funda do Metrô

Pauta: Organização da defesa da fábrica ocupada sob controle operário.


CHEGA DE ATAQUES AOS TRABALHADORES !!
FÁBRICA QUEBRADA É FÁBRICA OCUPADA !!
PELA ESTATIZAÇÃO DA FLASKÔ, SOB CONTROLE OPERÁRIO.
JUIZ DEVE PROMOVER JUSTIÇA e NÃO DEFENDER INTERESSES do CAPITAL
.

Em defesa da fábrica ocupada Flaskô!

Manifestações para Barrar o Aumento se repetem em SP

Cerca de mil manifestantes se concentraram nesta quinta-feira (14) em frente ao Teatro Municipal (centro) para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo (de R$ 2,30 para R$ 2,70).

O protesto rumou para a sede da prefeitura, no Vale do Anhangabaú. Neste momento, segundo a PM, pouco mais de 400 pessoas faziam parte do protesto. Lá, os jovens colocaram fogo em uma catraca e em um boneco que simbolizava o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A passagem de ônibus municipal em São Paulo passou a custar R$ 2,70 e a integração com o metrô, R$ 4. A mudança foi efetuada no dia 4 deste mês. O aumento de 17,4% foi anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) no dia 20 de dezembro de 2009.

Este é o primeiro reajuste desde novembro de 2006 e está acima da inflação de 15,9%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A prefeitura informou que o reajuste segue a inflação acumulada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Outras justificativas para o aumento foram melhorias, como a ampliação do período de uso do bilhete de duas para três horas.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Manifestação contra o aumento da tarifa ocupa ruas de SP

ATO CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM EM SÃO PAULO É REPRIMIDO PELA POLÍCIA

Na última quinta-feira, 07 de janeiro, realizou-se na cidade de São Paulo um ato contra o absurdo aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,30 para R$ 2,70. A concentração foi em frente ao Teatro Municipal e a manifestação seguiu até o Terminal de ônibus do Parque Dom Pedro, região central da cidade.

No total haviam cerca de 300 participantes, um número razoável diante da manobra do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em aplicar o aumento no primeiro dia útil do ano, em meio às férias, o que dificultou a mobilização principalmente dos estudantes. A Esquerda Marxista e a JR estavam presentes com faixas e distribuindo panfletos com uma declaração (clique aqui para ler).

Próximo ao terminal a polícial impediu que a manifestação prosseguisse, houve confronto. Com toda a truculência que os movimentos sociais já conhecem (vale lembrar da invasão do campus da USP pela polícia militar em 2009), a PM foi pra cima com cacetetes, gás de pimenta, bombas de gás e balas de borracha. Manifestantes foram presos. Essa é a verdadeira função desse aparato repressor do Estado, garantir os interesses da burguesia, seus lucros e a propriedade privada, atacando as ações dos trabalhadores e da juventude que contrariem a lógica capitalista.

Nova manifestação está marcada para o dia 14/01. É hora do povo tomar as ruas pra barrar esse aumento!

Fotos da manifestação contra o aumento na tarifa do transporte público (ônibus) em São Paulo capital. O ato ocorreu dia 08/01/2010. -> veja matéria


















UJES - No caminho certo


O vídeo acima mostra um pouco da história e das principais atividades realizadas em 2009 pela União Joinvilense de Estudante Secundaristas, a UJES.

Fundada em 1964, foi impedida de funcionar pela ditadura militar em 1965, voltando a suas atividades apenas em 1986.

A UJES têm como objetivo conscientizar, organizar e mobilizar os estudantes secundaristas na defesa dos seus interesses e das bandeiras históricas do movimento estudantil, agindo como um verdadeiro sindicato dos estudantes.

Como suas principais bandeiras estão a luta pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pelo passe-livre estudantil, pelo acesso do jovem a cultura, diversão e arte e por um futuro de verdade para a juventude.

Por Veiga,
Militante da Juventude Revolução da Esquerda Marxista

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Petróleo 100% estatal!

CONSTRUIR A ALIANÇA OPERÁRIA E ESTUDANTIL

POR UM PETRÓLEO 100% ESTATAL

Após 60 anos do poderoso movimento “O Petróleo é nosso” - que impôs a lei 2004/53 que conquistou o monopólio da União na exploração do petróleo e criou a Petrobrás - a luta pela soberania das riquezas naturais e os rumos do nosso petróleo voltam à pauta do movimento operário e estudantil.

Em agosto de 1997 a burguesia dá mais um golpe nos trabalhadores brasileiros com a lei 9.478, assinada por FHC. Essa lei derrubava o monopólio da exploração e produção do petróleo pela Petrobrás e iniciava a privatização através das concessões e dos leilões.

Dez anos depois a Petrobrás começava a anunciar os novos campos petrolíferos na região do Pré-sal, e já tem confirmado uma reserva 80 bilhões de barris de petróleo, podendo chegar a mais de 100 bilhões de barris. Para se ter uma idéia da importância deste tema observe-se que a reserva total do Brasil antes do pré-sal era de 14 bilhões de barris. Cada barril chegou a valer US$ 140 no período pré-crise, e hoje gira em torno de US$ 68 o barril. É muito dinheiro e isso desperta a cobiça dos capitalistas que tem utilizado o Estado e o parlamento para aprovar leis que lhes permitam meter a mão nessa riqueza.

Desde o anuncio do Pré-Sal três projetos de leis já foram apresentados sobre a exploração do petróleo. O projeto direto dos capitalistas, que avança na privatização da Petrobrás e a coloca o Pré-sal nas mãos da burguesia internacional; o projeto do governo que cria a PetroSal, uma agência reguladora que tem a mera função de regulamentar a concessão e os leilões do petróleo, estabelecendo que somente 30% do présal deve ser exclusivamente explorado pela Petrobrás, ficando o restante aos capitalistas; e o projeto dos Movimentos Sociais, que defende uma Petrobrás 100% estatal e pública, pondo fim aos leilões, retomando as áreas já leiloadas, reestabelecendo o monopólio estatal na exploração, produção e comercialização do petróleo, com a destinação dos lucros em benefício do povo trabalhador.

A UNE-UBES até agora vai caminhando no caminho errado e defendendo o projeto do governo levanta uma esquisita bandeira que diz “50% do présal para a educação”, com o objetivo de criar a idéia de com isso teremos dinheiro para a educação, escondendo assim que o governo já destinou só em 2009 R$ 318 Bi para os empresários “enfrentarem” a crise, e ainda R$ 125 Bi de juros da dívida pública, enquanto a educação recebeu só R$ 48 Bi. A bandeira de luta da UNE-UBES deve ser pelo fim do repasse de dinheiro público aos empresários, investimentos massivos na educação, e Petrobrás 100% pública com os lucros destinados 100% às necessidades do povo!

COMO ORGANIZAR A LUTA?

Construindo Comitês em defesa da Petrobrás 100% pública em aliança com os trabalhadores e a juventude para pressionar que as entidades e organizações saiam às ruas para impor a aprovação do projeto dos Movimentos Sociais retomando o monopólio estatal do Petróleo 100% público.

sábado, 2 de janeiro de 2010

AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E O PROCESSO DE ADOECIMENTO DOS TRABALHADORES DOCENTES


Rosangela Soldatelli

Artigo que traz uma análise de fundo sobre as condições de trabalho sob o sistema capitalista e, mais especificamente, dos trabalhadores docentes da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis.

Este artigo traz uma reflexão sobre o trabalho numa concepção marxista. Procura discutir como o homem se materializa através dele, fazendo um paralelo entre o trabalho desenvolvido dentro das fábricas com o trabalho desenvolvido pelos professores de escolas públicas.

Este trabalho, que na sociedade capitalista está associado diretamente à acumulação do capital, degrada vidas e famílias, destrói o meio ambiente, a saúde de homens e mulheres. E é neste contexto que o artigo também quer avaliar como as condições de trabalho têm interferido no processo de adoecimento dos trabalhadores, destacando em especial os professores.

Com o objetivo de exemplificar nossa discussão, vamos utilizar como foco os professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Florianópolis. E, em sendo trabalhadores do serviço público, este artigo discute também o papel do poder público na sociedade capitalista.

Buscaremos resgatar o que as leis trazem sobre condições de trabalho, quais deveriam ser essas condições e como realmente estão. Apontar quais lutas os professores desenvolveram através do seu sindicato para melhorar essas condições, não esquecendo que é impossível estudar o trabalhador docente hoje, sem entendê-lo dentro da sociedade capitalista, sociedade de divisão de classes, de exploração da força de trabalho. E mais, qualquer discussão, cujo objetivo seja superar os problemas enfrentados por esses trabalhadores, precisa necessariamente ser acompanhada de discussões que apresentem perspectivas de superação dessa sociedade onde esse trabalhador está inserido.

Introdução

A saúde do trabalhador, em especial do trabalhador público, tem despertado o interesse e preocupações em especialistas das áreas de saúde, psicologia e trabalhista. Nesse contexto de trabalhador público, os professores têm merecido foco de pesquisas e atenção tanto no Brasil como fora dele.

Direcionando nosso olhar para o trabalhador professor de escola pública, poderemos distinguir dois caminhos distintos de pensamento: se é um professor descrevendo, ele se verá como um trabalhador que adoece mais que todos os outros, que sofre pressões psicológicas e emocionais mais que qualquer outro, com direitos trabalhistas piores que os outros, e principalmente, não se contextualiza na sociedade capitalista, e, portanto, não sofre todas as conseqüências dessa relação.

Se a descrição for feita por alguém que não é professor, alguém que olha a escola de fora, não entende porque tanto sofrimento. Não tem o patrão do lado, não sofre exploração do trabalho, passa o dia com crianças que é algo positivo, enfim, não entende porque tanto sofrimento, tantos afastamentos médicos, tantas readaptações.

Este artigo quer dialogar sobre o trabalho realizado em uma fábrica com o trabalho realizado por um professor de escola pública, pois ambos trabalhadores estão adoecendo, apesar da forma de trabalho ser aparentemente bem diferente.

Compreender o que aproxima os mais variados trabalhos na sociedade capitalista e como se comporta o poder público nessa relação é fundamental para que possamos entender a exploração da mão-de-obra nesses variados trabalhos e principalmente como buscar saídas.[...]

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A EDUCAÇÃO ESTÁ DOENTE NO BRASIL



Alex Minoru

Há uma campanha para jogar a culpa pela má qualidade da educação nas costas dos professores.

Em todo o mundo trilhões de dólares saíram dos cofres públicos na tentativa de estancar a crise econômica. No Brasil, apesar de termos um presidente do Partido dos Trabalhadores, a receita seguida foi a mesma de Obama, Gordon Brown e de tantos outros governantes empenhados em salvar o capitalismo.
Estima-se que em nosso país, mais de 300 bilhões de reais já foram parar nas mãos de banqueiros, empresários e multinacionais. Essa conta precisa ser paga, e já está sendo paga pelos trabalhadores. A destinação de dinheiro público para os capitalistas significa diretamente cortes de verbas para educação, saúde, moradia, cultura, etc. Cortes naquilo que os trabalhadores conseguiram arrancar do Estado com sua luta.

Façamos os cálculos: em pouco mais de um ano já foram destinados aos capitalistas, no Brasil, mais de 300 bilhões de reais, enquanto o orçamento previsto para a educação em 2009 é de 41,5 bilhões e o da saúde 59,5 bilhões. Educação e Saúde juntas somam menos de um terço do que foi dado para a burguesia! Os fatos demonstram que a velha desculpa de que não existe dinheiro para investir em saúde e educação é uma grande mentira.

Analfabetismo

O analfabetismo no Brasil continua alto, o IBGE calcula a taxa de analfabetismo e constata que 9,8% da população com mais de 15 anos é analfabeta (dados de 2008), em 2007 a taxa era de 9,9%, uma diminuição insignificante. Em números absolutos o total de analfabetos aumentou de 14,14 milhões para 14,25 milhões de adultos entre 2007 e 2008. A região nordeste é a que mais sofre com o problema, taxa de 19,4%.

Os analfabetos funcionais - segundo os critérios do IBGE, pessoas com mais de 15 anos de idade e menos de 4 anos de estudos completos - chegam a 21% da população no Brasil.

Dinheiro, muito dinheiro para os banqueiros e migalhas para a educação - esse é o resultado. A Venezuela, um país mais pobre que o Brasil, conseguiu erradicar o analfabetismo em 2005. A Bolívia, um país muito mais pobre que o Brasil, anunciou em 2008 que está livre do analfabetismo.

Os profissionais da educação estão adoecendo

Os profissionais da educação sofrem em todo o Brasil com os baixos salários, uma jornada excessiva, e ausência de estrutura para que possam desenvolver um bom trabalho.

São inúmeros os casos na categoria de depressão, pânico, problemas nas cordas vocais, LER (Lesão por Esforço Repetitivo), etc. Os professores, peça fundamental para a qualidade da educação, a cada dia estão mais doentes.

Os governos e a imprensa, de uma forma cruel, fazem uma campanha para jogar a culpa pela má qualidade da educação pública nas costas dos professores.

O governo Lula, ao invés de ir contra essa lógica e defender os trabalhadores da educação, institui em 2008 um Piso Salarial Nacional do Magistério de R$ 950,00 para uma jornada de 40 horas semanais. Um valor que não contribui em nada para a valorização do educador (veja mais sobre o Piso na edição 26 do Jornal Luta de Classes).

Lutar por mais verbas para a educação

Sem um investimento maciço do Estado na educação, o sucateamento que aflige todo o sistema público de ensino vai se aprofundar. Isso só favorece os donos de escolas particulares, que teriam seus lucros fortemente reduzidos se a educação pública fosse de qualidade.

O FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) apresenta-se como um formato insuficiente para garantir as verbas necessárias à educação. Ao vincular
a receita do Fundo a porcentagens de arrecadação de impostos de municípios e estados, fica sujeito às flutuações da economia. A crise econômica, por exemplo, provocou um corte de 10% no valor previsto para o Fundo. Além dos cortes já impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Hoje o Brasil investe, no total, 4,6% do PIB em educação, a própria UNESCO recomenda ao país que invista 8% do PIB neste setor. Um bom passo adiante seria o que alguns sindicatos e parlamentares defendem: os 10% do PIB para a educação, o que teria significado 290 bilhões de reais em 2009.

Mas para virar o jogo, é preciso que o governo rompa com a burguesia e seus partidos, apóie-se no povo para atender as nossas reivindicações. Essa é a nossa luta para a educação pública viver dias mais felizes.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ato em SP contra o aumento da tarifa


   Vídeo da manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público (ônibus) em São Paulo. Organizado pela 'Rede Contra o Aumento' o ato ocorreu dia 26/11/2009 e percorreu o centro de São Paulo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Reformismo ou Revolução


SINOPSE:
As declarações de Hugo Chávez a favor do socialismo provocaram um debate importante na Venezuela e internacionalmente. O colapso da União Soviética e a contra-ofensiva ideológica da burguesia contra o socialismo têm levado alguns a concluir que as “velhas” idéias do marxismo já não são válidas, que é necessário inventar uma teoria completamente nova e original do socialismo do século XXI. Isso é o que pensa ter feito Heinz Dieterich. Reformismo ou Revolução é a reafirmação das idéias fundamentais do socialismo científico e uma contestação oportuna das atuais tentativas dos revisionistas de “melhorá-lo” convertendo-o em seu contrário. É leitura obrigatória para todos aqueles que desejam compreender o marxismo e sua relevância para o mundo em que vivemos.

Adquira o seu com os militantes da Esquerda Marxista ou através da internet:

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

VITORIOSO SEMINÁRIO NA FLASKÔ FECHA O ANO COM CHAVE DE OURO

Jornal Luta de Classes 



 
 
   Editorial da edição nº 27 do Jornal Luta de Classes.
 

   Realizou-se na Flaskô, no último dia 28 de Novembro, com 150 participantes, o Seminário em Defesa da Estatização da Fábrica Ocupada pelos Trabalhadores, em Defesa da Re-estatização da Embraer, da Cia. Vale do Rio Doce, das Ferrovias e pelo Monopólio Estatal da Petrobrás, do petróleo, do gás e de todo o Pré-Sal, em defesa dos Empregos.

   O Seminário foi aberto perto das 10 horas da manhã no espaço esportivo da Fábrica de Cultura e Esportes da Flaskô, onde a Associação Dib ensina suas múltiplas atividades esportivas e educacionais, voltadas para os moradores de Sumaré e região.

   A composição da mesa por si só indicava a magnitude do Seminário, que, realizando a Frente Única Operária pode dar os passos necessários para avançar nas lutas em torno das quais o Seminário foi organizado.

   O conjunto das entidades e personalidades ali presentes demonstra a força de atração da luta da Flaskô e a magnitude do Seminário. Basta verificar a mesa do seminário listada abaixo e constatamos o largo espectro de unidade conseguida:


  • Serge Goulart, Coordenador Nacional do Movimento das Fábricas Ocupadas/Brasil;

  • Pedro Santinho, Coordenador do Conselho Operário da Fábrica Ocupada Flaskô;

  • Sergio Novaes, representando a CNQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT)

  • Faustão, pela Direção Nacional da CUT;

  • Herbert, Vice-Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Conlutas;

  • Renato Simões, da Secretaria Nacional de Movimentos Sociais do PT;

  • Cynthia Pinto, da Coordenação do MNDH (Movimento Nacional dos Direitos Humanos);

  • Marcela Moreira, do Diretório Estadual do PSOL de SP e do Instituto Cultural Voz Ativa;

  • Emanuel Cancella, Secretário Geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro e da FNP;

  • Danilo Ferreira, da direção do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo;

  • Adel Daher Filho, da direção do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul;

  • Alexandre Mandl, Advogado do Movimento das Fábricas Ocupadas;

  • Sebastião, pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

   No plenário estavam presentes dezenas de jovens vindos de diferentes Universidades. A Juventude Revolução da Esquerda Marxista, o DCE e alguns Centros Acadêmicos da Unicamp, o ITCP, o CA da Filosofia da USP, UMES de São Bernardo do Campo, Movimento 27 de Março (trabalhadores da cultura), UEE-SP, movimentos de cooperativados, o vereador Dito Lustosa (PcdoB de Sumaré), além de moradores da Vila Operária e um representativo grupo de trabalhadores da Flaskô.


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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

20 de novembro, e depois?



Zâmbia O. dos Santos


O dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra em todo o Brasil, em homenagem ao grande general Zumbi de Palmares, que se tornou líder no contexto do Brasil colonial, patriarcal e escravista lutando por liberdade ao lado de negros, índios, mestiços e brancos pobres.

Esta data é comemorada atualmente, pois foi uma conquista dos movimentos sociais especificamente o negro, infelizmente é somente neste momento em que a sociedade reconhece as inúmeras contribuições da cultura africana.

E entre os discursos inflamados dos pesquisadores e ativistas negros ouve-se que a condição para a exploração do negro foi à cor de sua pele, e na realidade isto não passa de um grande equivoco, precisamos estar cientes de que a escravidão não ocorreu com os povos africanos pelo fato deles serem negros, e sim porque foram convertidos na condição de mercadorias por um sistema que admitia o direito de propriedade ao corpo humano, e esse sistema que era vigente na Europa do séc. XVIII é o mesmo sobre o qual vivemos hoje, o capitalismo.

Porém o regime escravista foi uma das maiores contradições do capitalismo, pois como num sistema onde todos eram livres para participar do mercado ativamente, onde o Estado não mais podia dizer quem têm direito de compra e venda, onde a força de trabalho passa a ser considerada um bem inerente ao operário e que é ofertada ao patrão em busca de uma liberdade maior – maior poder de consumo - seja permitido que pessoas tenham suas liberdades feridas, seu “trabalho” e suas vidas vendidas sem que houvesse seus consentimentos?

Surge então a explicação perfeita: - Os negros são seres sem alma, desprovidos de intelecto, e Deus deu ao homem BRANCO, o poder e soberania sobre os outros seres (animais), inclusive sobre o ser negro.

O racismo cientifico foi a forma de tornar a escravização um fato aceitável e baseada nela surgiram diversos estudos que buscavam comprovar a teoria da inferioridade da suposta “raça negra” . Estudos que foram reforçados com a teoria evolutiva de Darwin, surgiram então, teorias que supunham um maior elo dos negros com os primatas, como uma raça inferior ao homo sapiens que ficou isolada nos confins áridos e exóticos da África, seriam eles raças, assim como as muitas outras raças que surgiram a partir destas crenças, 3, 4 12, 16, 29, varias formas de classificações eram propostas pelos “cientistas”.

A craniometria foi um dos estudos que marcou a busca cientifica pela degeneração da “raça negra”, estudos a respeito das medidas dos crânios de asiáticos, africanos, americanos e europeus, buscavam provar a superioridade da “raça ariana”. No Brasil Nina Rodrigues e outros seguiam com estudos em busca da comprovação da interioridade do negro. Durante cerca de meio século houve a freqüente desmoralização do negro.

E mesmo agora com as descobertas cientificas que provam que a raça humana é monotípica - raça da qual todos os indivíduos fazem parte – de que as diferenças entre os seres humanos não passam, de características físicas superficiais que correspondem a uma fração ínfima da carga genética humana, o racismo perdura.

Ele está intrínseco na sociedade, em pequenas coisas, em frases feitas, em conceitos pré concebidos, e a luta para reverter esse quadro será e é longa, mas em busca de uma forma de obter acesso rápido e desesperado a tão desejada igualdade étnica, muitos intelectuais e movimentos sociais históricos têm caído no canto da sereia das cotas raciais, cotas essas que inicialmente se aplicam para a inserção nas universidades – sem se preocupar em criar mais vagas – que nós sabemos que quando totalmente aceitas são apenas o primeiro passo para a aprovação do estatuto da igualdade racial.

O fato é que em meio ao reformismo esqueceu-se que muito se não tudo a respeito da atual situação de inferioridade dos negros se dá devido à disparidade econômica existente no Brasil e no mundo hoje, em palavras claras, se dá pela luta de classes.

Porque o negro que não tem acesso ao ensino superior hoje, não é o negro que mora em apartamento na área nobre da cidade, que estudou em escolas de qualidade, que freqüenta as lojas de marca e que desfila no seu carro do ano, o negro que não tem acesso à universidade é aquele mora nas periferias, que estudou em uma escola defasada do estado, superlotada e depredada, que não tem acesso a saneamento básico e ao lazer e que anda nos ônibus superlotados e em condições precárias, e este mesmo negro mora ao lado de um branco que estudou na mesma escola e que todo o dia partilha do mesmo sofrimento.

Lutar por um dispositivo do estado que segregue a classe trabalhadora não irá resolver nossos problemas, longe disso, apenas beneficia as grandes corporações, que terão os sindicalistas preocupados em brigar entre si por migalhas ao invés de unirem-se por uma causa única.

Defendemos um ensino publico gratuito e de qualidade para todos em todos os níveis sociais e de todas as cores, desde a base da educação ate o nível superior, lutamos por políticas publicas de qualidades, que desta forma atingirão tanto negros quanto brancos, marginalizados e destituídos dos serviços públicos.


É preciso compreender que a luta contra o racismo é também a luta contra o sistema capitalista, e não é criando uma pequena burguesia negra que iremos acabar com a discriminação, devemos fazer nossas as palavras de Steve Biko, líder negro morto por seus ideias que um dia disse que “racismos e capitalismo são duas faces de uma mesma moeda”.


Mais informações acesse www.mns.com.org.br

Seminário "Trabalhadores em Defesa dos Empregos pela (Re) Estatização e Controle Operário"


sábado, 21 de novembro de 2009

Movimento Negro Socialista (MNS)


          Símbolo do MNS Baseado na histórica foto do 
              Ato contra o julgamento de Hue Newton líder dos 
 Panteras Negras no EUA em 1969.


          Constituído em 13 de maio de 2006 em São Paulo, o comitê por um Movimento Negro Socialista (MNS) é fruto da discussão entre antigos militantes socialistas e negros preocupados com o rumo da discussão sobre o combate ao racismo, a relação com a luta de classes e a luta pela libertação de todo povo oprimido no Brasil e no mundo.

          Estes companheiros lançaram em agosto de 2005 um apelo por um Movimento Negro Socialista, o qual recebeu mais de 600 adesões em todas as regiões do Brasil. Á partir deste foram realizadas dezenas de reuniões aonde os grupos locais convocaram uma reunião nacional em 13 de maio de 2006. Nesta reunião participaram representantes de 3 estados aonde se constituiu um Comitê por um Movimento Negro e Socialista e uma coordenação foi eleita, a reunião nacional deliberou um plano de luta e campanhas e convocou uma próxima reunião em Brasília por ocasião da Caravana das fabricas Ocupadas em julho de 2006.

          Dentre as campanhas deliberadas pela Reunião de 13 de maio, a luta contra o estatuto da igualdade racial ganhou enorme destaque na mídia e nas massas, a firme posição do MNS de combater as políticas de “ação afirmativa” e a política de cotas raciais e constituição de uma frente ampla com intelectuais, artistas, outros movimentos negros, sindicalistas etc. Se constituiu numa referência para os marxistas na discussão e posicionamento na luta pela igualdade e contra as armadilhas das políticas incentivadas pela ONU, ONG’s, Governo.

          O MNS esta construindo núcleos de discussão em todo o país e preparando uma grande Reunião nacional no próximo (Período)*, combatendo a discriminação racial e apoiando a luta dos trabalhadores.

          Os negros são a maior parcela dos oprimidos no Brasil e nós sabemos que o racismo é uma arma da classe dominante para dividir nossos irmãos trabalhadores, por isso é fundamental que nós nos organizemos para combater aqueles que querem perpetuar o regime da exploração e sua repugnante ideologia racista. A luta contra o racismo é a luta contra a sociedade de classes e portanto contra o capitalismo.

          Junte-se a nós, construa um núcleo do MNS em seu bairro, escola, fabrica em sua cidade.

“Racismo e capitalismo são as duas faces da mesma moeda”

Steve Biko, militante negro sul-africano
fundador do Movimento da Consciência Negra
assassinado em 1977 pelo regime de Apartheid


*Parte modificada por nós.

Declaração do site oficial do Movimento Negro Socialista (MNS) http://www.mns.org.br/